quarta-feira, 6 de abril de 2011
A despedida do trema
Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Vocêpode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disseram que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K, o W "Kkk" pra cá, "www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nos vemos nos livros antigos. saio da língua para entrar na história.
Adeus,
Trema.
Autor desconhecido.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Marketing é tudo!
Queridos,
Depois de traduzirmos placas de caminhão, frases e ditos populares; e após consertar um tanto considerável de placas de rua, segue a propaganda bem humorada abaixo.
Depois de traduzirmos placas de caminhão, frases e ditos populares; e após consertar um tanto considerável de placas de rua, segue a propaganda bem humorada abaixo.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Loves in the air
Ah! Aquela antiga frase feita que diz: “o amor está no ar” é a que melhor resume as duas últimas semanas da comunicação empresarial e da língua portuguesa para esta singela professora.
Traduzir, transcrever, remodelar, criar. Todos esses verbos foram fortemente conjugados para trabalhar com as linguagens cultas e coloquiais. Não foi tão simples, mas com certeza mais fácil do que parecia. Fora a guerra dos sexos instalada. O ponto de partida: o dia internacional da mulher. A necessidade: aprender a diferenciar os tipos de linguagem. O desenvolvimento: muitas, mas muitas risadas. E os resultados: declarações de amor e cantadas.
Os meninos transvestiram-se com palavras generosas ao apresentarem declarações de amor até a década de 90. As meninas abusaram da coloquialidade, criando até um funk para, literalmente, cantar os e aos meninos.
E quem não se recordará do Lucas lendo o Tigrão? E quem se esquecerá da voz do Rômulo cantando para a Stefânia? Ou da música da Jéssica para o Sr. Antônio? Ou mesmo das declarações um tanto trocadas de Ana Paula e Gustavo?
Foram gerações misturadas que englobaram desde vossamercê a vc, da garota de Ipanema à Chapeuzinho Vermelho, da bossa ao funk, do culto ao coloquial.
E por estranho que pareça, os rapazes saíram-se melhor nas declarações. O que talvez mostre que nós mulheres não precisamos nos preocupar tanto assim. Basta um aperto, e as cantadas de pedreiro desaparecem e os meninos propiciam aos nossos ouvidos palavras encadeadas e por vezes românticas.
Ainda há esperança nos tempos modernos para o amor ideal. Ainda existem homens masculinos e sensíveis. Ainda há uma chance de não continuarmos a assassinar Camões, Caetano, Djavan. Queridos e queridas, o meu obrigada. Não pelas cantadas, nem pelas declarações, mas por se proporem a participar das aulas e a me ajudarem a divulgar a idéia de que o português não precisa ser chato, estranho, difícil e cansativo. Pode ser divertido, útil, ágil e interessante.
Brigadim, para os modernos do internetês de vc.
Muito obrigada para os mais cultos do vossamercê de outrora.
quarta-feira, 9 de março de 2011
Homenagem ao dia da mulher - "Dorei Sô"
Dorei sô
O sotaque das goianas deveria ser ilegal, imoral ou engordar, já que tudo que é bom, tem um desses horríveis efeitos colaterais...como é que o falar lindo e charmoso ficou de fora?
Por que Deus, que sotaque!
Goiana devia nascer com uma tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal a saúde.
Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez, quase propus casamento a uma goiana que me ligou por engano.
Elas tem um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá por que abandoná-las no meio do caminho.
Os não-goianos, ignorantes nas coisas de Goiás, supõem, precipitada e levianamente, que os goianos vivem apenas de uais, trens e sôs. Mas vai além disso!
Goiana não fala que o sujeito é competente, ele é 'bom de serviço'.
Nunca usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre perguntam 'Ce tá boa?' (pra mim, isso é pleonasmo, perguntar se uma goiana ta boa é desnecessário).
O verbo 'mexer', para as goianas tem amplos significados, quer dizer por exemplo, 'trabalhar'. Se lhe perguntarem: 'Com o que q o ce mexe?', querem saber o seu oficio.
Goianas não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá por que, 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa. Também não gostam do verbo 'conseguir', aqui você nunca consegue nada, você não 'da conta'.
Que goianas nunca acabam as palavras todo mundo sabe. E um tal de 'bunitim, fechadim, pititim'.
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma goiana, vc não ouvirá nunca. É u tal de 'vamo', 'bora'.
Preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a goiana.
Aqui certas regras não entram.
O supermercado nunca tá lotado, sempre tá 'cheio de gente', não faz muitas compras, compra um 'tanto de coisa'. Se, saindo do supermercado, a goianinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: 'Ai, gente, que dó'. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas goianas. Goiano não arruma briga, 'caça confusão'. Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!! Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'? com algumas toneladas de ironia... E o 'nem', já ouviu?? Completo ele fica: 'Ahhh nemmmm!' Significa amigo, que a goiana não vai fazer o q vc propos de jeito nenhum.
Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das goianas. Goiana não pergunta, 'vc não vai?' A pergunta goianamente falando e: 'Ce não anima de ir?'.
O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se vc em conversa falar 'Fui lá comprar umas coisas.', a goiana retrucara: ' Ques coisa?' O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que.
A fórmula goiana é sintética. E diz tudo. Até o 'tchau' em Goiás é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: 'tchau procê', 'tchau procês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau.
A conjugação dos verbos em Goiás têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios! E é por essas e outras que eu sou apaixonado pelas goianas, ainda não inventaram mulheres mais lindas e charmosas.
É isso ai gente, tchau procês!!!
O sotaque das goianas deveria ser ilegal, imoral ou engordar, já que tudo que é bom, tem um desses horríveis efeitos colaterais...como é que o falar lindo e charmoso ficou de fora?
Por que Deus, que sotaque!
Goiana devia nascer com uma tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal a saúde.
Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez, quase propus casamento a uma goiana que me ligou por engano.
Elas tem um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá por que abandoná-las no meio do caminho.
Os não-goianos, ignorantes nas coisas de Goiás, supõem, precipitada e levianamente, que os goianos vivem apenas de uais, trens e sôs. Mas vai além disso!
Goiana não fala que o sujeito é competente, ele é 'bom de serviço'.
Nunca usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre perguntam 'Ce tá boa?' (pra mim, isso é pleonasmo, perguntar se uma goiana ta boa é desnecessário).
O verbo 'mexer', para as goianas tem amplos significados, quer dizer por exemplo, 'trabalhar'. Se lhe perguntarem: 'Com o que q o ce mexe?', querem saber o seu oficio.
Goianas não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá por que, 'sou doida com ele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa. Também não gostam do verbo 'conseguir', aqui você nunca consegue nada, você não 'da conta'.
Que goianas nunca acabam as palavras todo mundo sabe. E um tal de 'bunitim, fechadim, pititim'.
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma goiana, vc não ouvirá nunca. É u tal de 'vamo', 'bora'.
Preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a goiana.
Aqui certas regras não entram.
O supermercado nunca tá lotado, sempre tá 'cheio de gente', não faz muitas compras, compra um 'tanto de coisa'. Se, saindo do supermercado, a goianinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: 'Ai, gente, que dó'. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas goianas. Goiano não arruma briga, 'caça confusão'. Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!! Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'? com algumas toneladas de ironia... E o 'nem', já ouviu?? Completo ele fica: 'Ahhh nemmmm!' Significa amigo, que a goiana não vai fazer o q vc propos de jeito nenhum.
Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das goianas. Goiana não pergunta, 'vc não vai?' A pergunta goianamente falando e: 'Ce não anima de ir?'.
O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se vc em conversa falar 'Fui lá comprar umas coisas.', a goiana retrucara: ' Ques coisa?' O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que.
A fórmula goiana é sintética. E diz tudo. Até o 'tchau' em Goiás é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: 'tchau procê', 'tchau procês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau.
A conjugação dos verbos em Goiás têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios! E é por essas e outras que eu sou apaixonado pelas goianas, ainda não inventaram mulheres mais lindas e charmosas.
É isso ai gente, tchau procês!!!
Autor Desconhecido
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Nunca um morto deu tanto o que falar
Ouvimos por aí histórias – até porque não existe estória – de pessoas com posses que deixam fortunas para os herdeiros brigarem. Mas, no geral, são algumas poucas pessoas e alguns poucos advogados.
Entretanto na Faculdade Delta, nas ultimas duas semanas houve um reboliço. Um milionário morreu, deixou uma fortuna e adivinhem: os quatro possíveis herdeiros contrataram exatos 68 advogados. Distribuídos da seguinte forma: 16 para a irmã, 17 para o sobrinho, 17 para o alfaiate, 18 para os pobres.
A confusão toda, baseada na história– que alguns especulam que real - de autor desconhecido é de um testamento deixado sem pontuação da seguinte maneira:
DEIXO MEUS BENS A MINHA IRMÃ NÃO AO MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO ALFAIATE NADA AOS POBRES
Houveram momentos tensos, outros engraçados?! E outros ainda de muita discussão.
Na turma 1.2 quase que um membro da banca foi linchado pelo público. Risos... tadinho, só estava fazendo a parte dele.
Já na turma 1.1 as discussões foram mais brandas. No entanto, analisando com frieza depois as argumentações, vimos alguns hilários suicídios de defesa e de argumentação.
A idéia de toda a dinâmica era aprender a argumentar mantendo a coerência e a coesão das idéias. E não foi tão fácil assim.
Diante desse parâmetro, os vencedores das turmas foram todos votados por unanimidade nas duas bancas.
Na turma 1.2 parabéns aos advogados do Sobrinho. E eu é que não quero trabalhar para a Thaís, OH! mulher brava!Discutiu com a banca em “pé de igualdade”. Essa menina se resolver que branco é vermelho, é melhor comprar uma tinta e tingir do que convencê-la do contrário!
Já na turma 1.1 meus conclames aos defensores do Alfaiate. Dorisney demonstrou que falar baixo e calmo não é sinônimo de não saber. Sua linha de coerência foi clara, precisa e a vitória merecida. Também não quero trabalhar para ele. Convencê-lo a me dar um aumento será quase impossível!
Espero que tenham se divertido. Português não precisa ser cansativo, pode ser engraçado e muito eficiente.
Abraços
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Boas Vindas
Bom dia, boa tarde, boa noite, queridos alunos e alunas,
É com imenso prazer que hoje estou aqui para lhes dar as boas vindas tanto à Faculdade, quanto ás minhas disciplinas.
Caríssimos... é muito gratificante ter novos alunos. E é sem preço - modelo propaganda da credicard - econtrar os ex-alunos pelo corredor e receber um sorriso, um abraço ou mesmo apenas um " boa noite".
Caríssimos... é muito gratificante ter novos alunos. E é sem preço - modelo propaganda da credicard - econtrar os ex-alunos pelo corredor e receber um sorriso, um abraço ou mesmo apenas um " boa noite".
Estive, estou e estarei sempre a disposição de todos e de cada um de vocês.
Este é o espaço para nos contactarmos on line, at time, in... ou qualquer outro estrangeirismo que queiram usar. E não, no texto escrito que fazemos em sala de aula nao pode. Mas aqui, o internetês PODE.
A proposta do blog é desopilar o fígado até doer o bucinador (tradução: rir até doer os músculos do sorriso). É... aqui PODE usar parênteses, abreviação, sigla e etc.
Apesar de que o desafio é sempre conseguir, ainda que na internet, manter um portugues claro, objetivo e conciso. Que repasse a mensagem sem florear tanto como estou fazendo agora. Gostaram da ambiguidade?
Enfim, queridos, fiquem a vontade. Toda semana, e, quando conseguir tempo, todo dia, posto algo a vocês. De jogos a desafios teremos de tudo.
Mandem suas sugestões do português.
Abraços
Elisandra Cabral
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