Precisamos
de uma nova civilização: O novo papa colonizador
Elisandra
Cabral
Enquanto observamos o novo inchaço da
máquina pública brasileira aos tempos e moldes do Brasil colônia é inevitável
não aludir à palavra retrocesso. O Brasil em uma espécie de ciclo vicioso
retorna às origens da colonização portuguesa com a abertura de tantos novos
cargos e até mesmo ministérios – diga-se de passagem, agora foi criado o 39º -
em um tipo de nova colonização. A diferença é que na atualidade a metrópole é o
PT.
Diante dessa mudança para a conservação
de poderes, surge a retórica: será mesmo uma mudança exclusivamente brasileira¿
Parece que não.
Parece que a América latina também foi
atingida pela crise econômica. Parece que a busca por estabilidade relembra os
cenários de guerras de outrora. Parece também que os países do Norte do planeta
precisam um pouquinho de nós. Afinal, são os operários que sustentam as
fábricas, não¿!
Fábricas de sonhos, inclusive. A cada
qual, o seu devaneio. A escravidão agora mora na China, os castigos da fome na
África e os chamados psicóticos, loucos, limitados pela crença na liberdade,
precisam ser medicados na América Latina, em especial, na Argentina e no Brasil.
E esse medicamento tem tido um preço um
tanto quanto alto para a Europa, a principal colonizadora de todos os tempos. A
despeito da política de pão e circo, foi concedido ao Brasil a sede da próxima
Copa do Mundo. Já para nossos vizinhos ermanos
foi necessário um pouco mais.
Frutos de uma colonização espanhola, a
Argentina possui um desenvolvimento do pensamento crítico mais aguçado. E,
críticas à parte, a grande responsável por isso foi a Companhia de Jesus. Os jesuítas que eram os responsáveis pela
educação na época da colônia levaram professores das mais variadas
nacionalidades para a Argentina. Dessa maneira, paulatinamente, transformaram o
país em um “pedaço da Europa’.
Esse pedacinho europeu hoje em uma crise
econômica terrível devido também – e talvez principalmente – a um governo
ditatorial disfarçado sob o codinome de Democracia Kirchner, recebe a chance de
se mostrar um aluno eficiente. Caso tenham estudado corretamente as lições, os
argentinos são o povo colonizado que mais tenha assimilado os modos e costumes
europeus, assim como maneira como estes oprimem e/ou catequizam o restante da
população mundial.
No entanto, com um porém: os argentinos
agem com a postura de dominantes, mas sabem que são dominados. E uma vez
dominados, sempre dominados como diria o sociólogo francês Pierre Bourdieu. Assim,
quando os dominados têm a chance de se tornar dominantes, há uma
reclassificação do que constitui o ato de dominar. Diante desses processos é que os argentinos essa
semana foram recolocados em evidência no cenário mundial: Ermano é, pois, o novo papa.
A Igreja Católica Apostólica Romana tem
agora como sumo sacerdote Jorge Mario Bergoglio, um cardeal argentino, que aos
76 anos, fez um voto de humildade e adotou o nome de Papa Francisco. Um
colonizado, produto da companhia de Jesus e, portanto, jesuíta que talvez – e esperamos
que assim o seja – consiga higienizar os problemas do vaticano e,
consequentemente, reeducar os valores da sociedade cristã mundial frente não
somente à moral mas, em especial, quantos aos ditos de São Francisco de Assim
que na primeira parte de sua oração solicita a Deus o sucesso de seu processo
de colonização dizendo:
Senhor, fazei-me instrumento de você paz
O
mundo precisa de paz
Onde houver ódio que eu leve o amor
As
guerras santas precisam acabar
Onde houver ofensa que eu leve o perdão
As
relações familiares necessitam fortalecer-se
Onde houver discórdia que eu leve a
união
O
vaticano precisa se unificar
Onde houver dúvidas que eu leve a fé
A
Europa ainda é o continente mais cético do mundo
Onde houver desespero que eu leve a
esperança
A
prisão de Guantánamo continua aberta
Onde houver tristeza que eu leve a
alegria
O
câncer é a doença do século
Onde houver trevas que eu leve a luz
Ainda
ocorrem sacrifícios humanos em algumas seitas religiosas.
E que assim, um colonizado possa
deformar de alguma maneira a estrutura de classes e tornar-se colonizador.
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